quinta-feira, janeiro 10, 2008

Jornalismo Fast-food: um comentário de Clóvis Rossi

CLÓVIS ROSSI (Folha de São Paulo), escreveu:
"Quem perdeu a primária democrata de New Hampshire foi o jornalismo "fast food", esse que se sente compelido a projetar às pressas o futuro com base só em um microfragmento do presente.
Perderam também os institutos de pesquisa, que davam entre sete e dez pontos de vantagem para Obama, apenas para ver o triunfo de Hillary Clinton.
Agora, começam as explicações para o erro de informação que foi atribuir New Hampshire a Obama, mas, por incrível que pareça, reincide-se no "fast journalism". Uma das supostas explicações: as mulheres se comoveram com as (raríssimas) lágrimas de Hillary em um evento de campanha e correram a ampará-la com seu voto. Pode até ser, mas, que pelo leio na mídia internacional, ninguém foi perguntar a um número representativo de mulheres de New Hampshire se foi isso mesmo.
Meu palpite (e com isso me dou o direito de cenas explícitas de "fast journalism") é o de que a grande maioria dos analistas cometeu o erro de tomar Iowa como sinônimo de Estados Unidos. Seria o mesmo que aceitar que uma situação eleitoral de, digamos, Roraima fosse representativa do Brasil.
O fato é que, antes como depois de Iowa, Hillary está à frente na intenção nacional de voto, com cômoda vantagem de uns 20 pontos. Nada mais natural que New Hampshire faça parte desse sentimento nacional pró-Hillary, ainda que em menor escala. Bem menor, aliás.Ou, posto de outra forma, a surpresa não foi a vitória da candidata em New Hampshire, mas a sua derrota em Iowa.
Ponto.
Voltando ao jornalismo não tão "fast": nem morreu a "Obamamania" nem Hillary Clinton está condenada a ganhar todas as demais primárias só porque ganhou em New Hampshire.
É dizer o óbvio? É. Mas é melhor sabedoria convencional que chute.
(Obrigado João Pedro Pitombo, pelo envio)


marcos palacios

Marcadores: ,

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home