terça-feira, janeiro 15, 2008

Regras básicas para o uso jornalístico das redes de relacionamento

Shane Richmond, do Telegraph.co.uk, comenta em seu blog sobre o uso do Facebook, Orkut e outros sites de relacionamento como ferramentas para a atividade jornalística. Ele afirma que as redes de relacionamento são sites públicos e que os jornalistas podem e devem incluí-las em seu arsenal de recursos para apuração. Podem ser particularmente úteis na cobertura de assuntos que se desenvolvem por um período de tempo mais longo, quando algumas vezes se convertem em boas fontes de informação. No entanto, Richmond faz quatro advertências no que diz respeito a seu uso, que podem ser sintetizadas assim:
1. Suspeite. As páginas pessoais nos sites de relacionamento nem sempre são o que dizem ser. É preciso se assegurar de que uma página pertença realmente a seu suposto signatário. As tentativas de validação e confirmação também se fazem, geralmente, online, o que não ajuda muito, em alguns casos. Leia com cuidado as informações postadas. Elas são consistentes com o perfil da pessoa que supostamente as escreve? Há quanto tempo essa pessoa mantém uma página na rede? As postagens são coerentes entre si?
2. Seja sensível. A informações colocadas em redes de relacionamento, ainda que sejam públicas, nem sempre foram postadas ali com a idéia de que sejam divulgadas. Sua sensibilidade para decidir o que deve ou não ser usado jornalísticamente deve ser ainda mais exercitada quando se trata de fatos que ainda estão se desenrolando, quando a divulgação de informações pessoais pode causar ofensa ou mágoa. Richmond cita o caso de extensas trocas de mensagens entre os estudantes durante os assassinatos na Virginia Tech.
3. Privacidade. Não divulgue levianamente informação pessoal. A privacidade das pessoas merece respeito e só deve ser invadida quando o interesse público realmente justificar esse tipo de ação. A revista Slate foi recentemente criticada por ter divulgado informação obtida na página de Facebook da filha de 17 anos de Rudolph Giuliani, na qual ela confidenciava apoiar Barack Obama. A intromissão foi considerada de mau gosto.
4. Confidencialidade. Não se esqueça que ao trabalhar no interior de sites de relacionamentos o jornalista deixa rastros. Suas fontes ficarão expostas e ao pedir uma entrevista, através de uma página do Facebook, por exemplo, você pode estar dando dicas para jornalistas de outros veículos cobrindo o assunto.

marcos palacios

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1 Comments:

Anonymous Luiza said...

Bem válidas as orientações.

Agora é complicado pedir aos jornalistas que respeitem a privacidade de informações publicadas nas páginas pessoais. Acho mais razoável os usuários se conscientizarem que a Internet é de acesso público e serem mais cautelosos. Por incrível que pareça, muita gente ainda fornece por aí, sem a menor preocupação,
dados e informações pessoais que podem inclusive comprometê-los com a justiça.

Outra coisa: tem muito jornalista usando as redes sociais como fonte única de uma matéria.

Um exemplo banal, baseado em coisas que já vi acontecer no portal da Globo.com: imagine o título "Torcida do XV de Arapiraca descontente com a diretoria", quando, na verdade, 3 ou 4 torcedores comentaram em um tópico da comunidade do time no Orkut que estão insatisfeitos.

9:50 AM  

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