segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Ciberjornalismo no Campus Party

De terça-feira a sábado, oficinas, palestras, mesas temáticas e mesas redondas, além de bate-papos informais debateram, por tabela, o ciberjornalismo no maior evento sobre internet 2.0 já realizado no Brasil. Por tabela, porque não houve um espaço específico, uma programação voltada para as questões do jornalismo digital. Então, a área naturalmente ocupada pelos jornalistas, uma das comunidades mais ativas do Campus Party, foi a CampusBlog.

Coordenada por Lúcia Freitas , o CampusBlog mostrou quem bloga, para que bloga, como bloga e como se pode blogar. Com uma das programações mais acessíveis dos setores do evento (CampusBlog, BarCamp, Criatividade, Desenvolvimento, Modding, Games, Robótica, Música, Software Livre, Simulação e Astronomia), as palestras sempre com grande número de assistentes mostraram ferramentas para publicar conteúdos e para incrementar postagens.

Uma das brincadeiras, mas que denota a seriedade das alterações do processo de produção do jornalismo, foi o pterorepórteres dos veículos credenciados para a cobertura oficial do evento. O espaço de trabalho da chamada "imprensa tradicional" (muitos deles de mídia digital e blogueiros) foi um aquário na área central, entre as bancadas de computadores e os palcos das palestras e oficinas, no mais cartesiano modelo. Quando comentei a necessidade de discussões entre academia, mercado, jornalistas e usuários, Lúcia afirmou:"A ênfase desta comunicade é com a prática, com o fazer. A gente faz com a academia o mesmo que com os jornalistas, deixa ali no aquário".

A mesa temática "Jornalismo e a Nova Economia" foi o único evento específico na programação oficial. Anunciada anteriormente com a presença de outros colegas, foi composta por profissionais identificados como jornalistas, publicitários e blogueiros, como Pedro Dória, Heródoto Barbeiro, Suzana Apelbaum, Ethevaldo Siqueira, Fabiana Zanni, Paulo Bicarato, Sabu Brochado, Jorge Rocha, Carlos Cardoso, Pollyana Ferrari e Carla Schwingel. Ou melhor, alguns como jornalistas e outros como blogueiros. Estava entre os blogueiros e identifiquei-me como mestre em cibercultura e doutoranda em jornalismo digital, Pollyana é mestre e doutora na área, Jorge é mestre em cognição o que o levou ao jornalismo colaborativo, tema de sua pesquisa e prática.

Mas de que isso importa? Importa porque somos um país pioneiro e diferenciado em estudos sobre o jornalismo digital. Temos alguns doutores e mestres formados na área. Nossas discussões, análises e proposições em nada devem para pesquisadores dos Estados Unidos, Europa e Oceania.

Em um universo complexo, não há mais espaços para as dicotomias que o jornalismo e os jornalistas insistem em empregar de forma reducionista. Que o próximo Campus Party venha com o ciberjornalismo em seu real contexto: multilinear, multifacetário, multimidiático, colaborativo, com todos os pontos de vista que compõem a prática, com todas as ações e teorias que trazem avanços.
Este Campus Party mostrou uma importante parcela. Parabéns à Lúcia. À gente, cabe pensar em como ajudar.

Crédito da foto mesa Jornalismo e a Nova Economia: WillPubli.

Carla Schwingel.

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1 Comments:

Anonymous Gilberto Consoni said...

Carla, concordo com você que os trabalhos dos nossos mestres e doutores nada perdem para os desenvolvidos em centros tão reconhecidos como os dos Estados Unidos. A grande diferença que vejo é na aplicação dos resultados dessas pesquisas. Nossos trabalhos são tão avançados quanto os deles, mas a nossa Internet é tão 1.0 ainda que as possibilidades 2.0 por aqui parecem mesmo se limitar exclusivamente ao mundo acadêmico.

9:41 PM  

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