quarta-feira, abril 09, 2008

Concursos docentes para Comunicação com foco estreito no Bacharelado

Os recentes anúncios de abertura de concursos nas universidades federais estão marcados por um viés que me parece muito preocupante: um foco por demais estreito na formação de origem dos possíveis candidatos aos concursos. Como o Reuni (Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) deve gerar um considerável número de vagas para a área de Comunicação, acredito que o assunto mereça imediata discussão.
Explico-me: para literalmente todas as vagas abertas em concursos recentes nas universidades federais brasileiras para Área de Comunicação, os editais trazem a exigência de Bacharelado em Comunicação como condição de inscrição.
É o caso, só para citar o mais recente exemplo, das duas vagas oferecidas para Teoria da Comunicação na Universidade Federal da Paraíba. O edital estabelece:
*Área de conhecimento objeto do concurso: Teorias da Comunicação
*Áreas conexas: Ciências Sociais, Sociologia Artes, Ciência da Informação, Educação,
História, Letras, Antropologia.
*Requisitos Mínimos: Mestrado em Comunicação ou áreas conexas; com Bacharelado em Comunicação Social.
*Numero de vagas: 02 (duas)
Reparem que são mencionadas - de maneira bastante ampla - as "áreas conexas", mas ao final vem a condição excludente: somente serão aceitos candidatos "com Bacharelado em Comunicação Social".
Que em concursos para matérias diretamente relacionadas à prática profissional de Jornalismo seja exigida - por força de lei e do corporativismo vigentes - graduação com habilitação na área específica, é algo compreensível, ainda que discutível. Mas quando um concurso para Teorias da Comunicação fecha o foco exclusivamente em candidatos com "Bacharelado em Comunicação Social" o alarme deve soar. Afinal, temos hoje no Brasil 27 Programas de pós-graduação stricto senso (Mestrados e Doutorados) em Comunicação. Nenhum deles faz restrições à área de formação dos candidatos para admissão. É de se esperar que os Mestres e Doutores formados por tais Programas possam atuar como docentes e pesquisadores na área de Comunicação Social, independentemente de seu título de Bacharel. Se assim não for, melhor que os cursos passem a exigir Bacharelado em Comunicação como condição de entrada paras seus Mestrados e Doutorados. Apesar do absurdo, pelo menos a coerência seria maior.

marcos palacios

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1 Comments:

Blogger Raquel said...

Professor, acredito que esta exigência venha do fato que as universidades querem professores que dêem aula de tudo. Como um sociólogo vai dar aula de telejornalismo?
O ideal seria que os professores efetivos fossem ministrar apenas matérias que tivessem profundo conhecimento, porém ocorre que a falta de docentes faz com que aquele que entra tenha que ser uma espécie de bombril. No caso do professor substituto, chega ao absurdo esta situação de mil e uma utilidades.

Raquel Souza
jornalista formada pela UFRN

1:26 AM  

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