domingo, outubro 19, 2008

Sobre a beleza e utilidade do ruído na Web

Eu sempre impliquei com a idéia de "excesso de informação" e apresento objeções a ela sempre que o assunto vem à baila em debates acadêmicos e assemelhados. Costumo dizer que se a idéia de "excesso" for aceita, teríamos que começar por considerar qualquer enciclopédia como um "objeto excessivo".
O que está está em causa nesse tipo de discussão não me parece ser o "excesso", mas problemas e temas que se agrupam sob palavras-chave mais específicas como "indexação", "data mining", "buscas", "filtragem","ambiente web", etc, etc. 
Mas há também uma outra idéia que se tece em torno dessa discussão. Trata-se da "serendipity", noção sem equivalência vocabular direta e precariamente traduzida para o português como "descobertas felizes e acidentais, feitas quando se está buscando algo totalmente diferente daquilo que se encontra" ou "aquisição passiva e oportunística de informação". É a informação que se encontra, se acumula, se utiliza, sem que estivéssemos buscando-a.  Simplesmente  "damos com ela": em um livro em um sebo, em uma "revista de avião", em um programa de rádio que sintonizamos por acaso em nosso carro, num número atrasado de publicação especializada em urologia largado na sala de espera de um consultório médico, ou na Web... 
Alimentando as idéias que alimento sobre o suposto "excesso", foi com grande satisfação que encontrei ontem no ReadWriteWeb uma longa postagem de  Marshall Kirkpatrick no qual ele coloca a questão: "Ruído online é mesmo ruim para você?".
As considerações de Kirpatrick, com os muitos links para opiniões e fatos igualmente valiosos,  pode ser parte de seu serendipity de hoje.
Hoje eu convido você a refletir sobre a beleza e a utilidade (pessoal e profissional) de se dispender tempo consumindo informação não filtrada que vem da névoa/nebulosas de fontes e rios caudalosos que proliferam exponencialmente na Web. Convido você a se dar o luxo de algumas horas da Cyber-Flânerie de que já falava André Lemos em 2001, aquele ano longínquo no qual aconteceu a Odisséia no Espaço. Ou isso foi em 1968?...
Experimente e faça da postagem de Kirkpatrick um ponto de partida para as muitas seredipitidades que desejo a todos neste domingo.
marcos palacios

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