sexta-feira, novembro 07, 2008

"Presidente eleito" encerra vídeo sobre a campanha americana

O New York Times divulgou hoje o quarto capítulo do vídeo "Escolhendo um presidente" que retrata a construção da campanha presidencial nos Estados Unidos. Com as longas fila de votação e a emoção dos eleitores em belíssimas fotos que compõem os discurso de McCain e de Obama - já como canditados derrotado e eleito - "Presidente eleito" conclui uma narrativa centrado no eleitor.

O primeiro capítulo, "Cenário", apresenta o começo da campanha oficial, em fevereiro deste ano, e a alteração de comportamento dos eleitores americanos. Com foto e estado indicado, as pessoas justificam sua ida às urnas nas prévias da super terça (quando um grande número de estados americano escolhe os candidatos oficiais dos partidos). Como a presença do eleitor foi recorde, a narrativa retorna a 2006 para explicar o porquê de McCain e Obama terem sido os eleitos. A palavra "mudança" foi a chave de ambas candidaturas.

"Os candidatos" fala de como McCain e Obama são percebidos pelos americanos em função de suas histórias de vida, posicionamentos políticos e estratégias pessoais. Com belas fotos e vídeos de programas televisivos, discursos e debates, a narração conduz à nomeação e escolha de seus vices. Com a crise econômica, as campanhas mudam suas estratégias e Obama começa a se destacar.

Em "Os eleitores", questões como a falta de experiência de Obama e o ineditismo de uma candidatura negra em um país marcado pela luta de igualdade racial aparecem nos depoimentos. Nas fotos e declaração do fotógrafo que acompanhou a campanha de Obama, a verdadeira face dos afro-americanos aparece: emoção mediante o momento histórico de poder eleger um presidente negro. Por outro lado, os eleitores republicanos se dividiam entre apoio e aceitação a McCain, em função dele ser mais liberal, até a entrada da consevadora Sarah Palin. Diferentes pessoas declaram seus votos a um ou ao outro candidato.

No capítulo final, o presidente está eleito. E a beleza das fotografias em narração supera a alegria dos shows ou as falas dos discursos. A menina branca apoiando a mão de Obama que se entrelaça a outra; a moça negra que conforta o rapaz branco quando se ouve McCain aceitando a vitória de Obama; os olhos tristes e afetuosos das senhoras quando ouvem sobre a necessidade de apoio e união para o bem do país; as mãos, as cabeças, os símbolos, o choro dos eleitores de Obama. A esperança em forma de oração; o cansaço da espera; o sorriso, os braços, a alegria da vitória; a mistura de raças; a diversidade.

Boas narrativas constroem mitos, mas não fazem líderes.

Em termos técnicos, o som oscila ao passar de um capítulo para outro. E como vídeo em um jornal impresso é excelente, mas estando na web, não seria muito mais interessante se fosse interativo e multilinear? Poderia perder na grandiloqüência, ou para ser mais precisa, na força narrativa. Será?

Tanto Obama quanto McCain não eram os candidatos apoiados pela cúpula majoritária de seus partidos, que aceitou a decisão dos eleitores, a vontade popular. Por isso não é de estranhar que as palavras de seus discursos finais sejam tão parecidas.

Caru Schwingel

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